24.10.2018

Obesidade infantil e a linha tênue para a doença renal crônica

O aumento de peso da população é uma realidade e a obesidade infantil vem se tornando um problema público de saúde. O número de obesos com idade entre cinco e dezenove anos cresceu mais de dez vezes nas últimas quatro décadas. De acordo com um estudo realizado pelo Imperial College London e a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 1975 e 2016 o número de crianças e adolescentes obesos em todo o mundo passou de 11 milhões para 124 milhões. No Brasil, a estimativa atual do Ministério da Saúde é de que 33% das crianças brasileiras, entre 5 a 9 anos, estejam acima do peso. 

Além de todos os problemas físicos que o excesso de peso acarreta, ele ainda pode abrir portas para patologias sérias, como o diabetes e a hipertensão, danificando órgãos e ocasionando doenças renais crônicas. De acordo com os dados, crianças com sobrepeso têm mais chances de chegar à vida adulta sofrendo de obesidade, o percentual aproxima-se de 80%. Esses números alarmantes despertam a preocupação dos médicos nefrologistas, pois a criança obesa hoje pode se tornar um adulto com doença renal crônica no futuro.

Segundo Sérgio Veloso Brant Pinheiro, professor do departamento de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, os mesmos fatores de risco para a obesidade estão associados ao desenvolvimento da doença renal crônica, incluindo: alimentação inadequada, sedentarismo, estresse, alterações metabólicas e hipertensão arterial. “A doença renal crônica é uma condição médica grave cada vez mais comum em pacientes com obesidade e está relacionada à piora da qualidade de vida e redução da expectativa de vida desses pacientes”, afirma.

Ainda de acordo com Pinheiro, é estimado que para cada paciente com diagnóstico de doença renal crônica, existem cerca de 20 indivíduos que dispõe da doença sem pressupor, pois é insidiosa e por muitas vezes apresenta sintomas somente com a função renal muito prejudicada.

“Nesse contexto, muitos pacientes com obesidade podem desenvolver doença renal crônica sem apresentar sintomas. A doença renal crônica deve ser suspeitada nesses pacientes, quando se detecta aumento da pressão arterial, alterações em exames de sangue (basicamente ureia e creatinina), alterações em exames de urina (aparecimento de proteínas na urina) ou alterações em exames de imagem (ultrassonografia dos rins e vias urinárias). ”

A disfunção renal exige tratamento com implicação em vários aspectos da vida, desde mudança de dieta alimentar a medicamentos de uso contínuo. Em casos extremos, pode levar à necessidade de hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal, comprometendo a qualidade de vida dessas pessoas.

Na obesidade infantil, são dados como principais fatores na maioria dos casos a falta de atividade física e da alimentação inapropriada, como excesso de açúcar, farináceos principalmente os refinados, produtos industrializados  e hipercalóricos, por isso é fundamental uma mudança de hábitos para evitar o aparecimento de complicações e doenças graves como a renal crônica. “A prevenção e o controle da obesidade pode reduzir o risco de desenvolver a doença renal crônica. Consequentemente, as mudanças no estilo de vida, como, por exemplo, alimentação adequada, atividades físicas regulares, sono adequado e redução de estresse, podem reduzir muito o risco de doença renal crônica em crianças e adultos e contribuir para uma vida longa e saudável”, explica Sérgio Veloso Brant Pinheiro.

A principal orientação aos pais é que incentivem a prática de exercícios, a alimentação saudável e a ingestão de quantidade adequada de água para a prevenção e combate a obesidade.


27.09.2018

Dia Nacional da Doação de Órgãos

Hoje, 27 de setembro, é o Dia Nacional da Doação de Órgãos, instituído para conscientizar a população em geral sobre a importância de ser doador, com o intuito de ajudar milhares de pessoas que lutam por uma oportunidade de salvarem suas vidas.

O rim é um dos poucos órgãos que podem ser doados em vida, pois ao doar um rim, o nosso organismo se adapta à nova realidade. Isso quer dizer que, ao manifestar o desejo espontâneo em ser um doador vivo, após o transplante renal é possível apenas um dos órgãos realizar a função de dois. “Sem doação não há transplantes. Mais de 21 mil pessoas esperam por um rim em todo o Brasil. O engajamento das pessoas é fundamental, muitas vidas podem ser salvas com esse gesto“, informa Daniel Calazans, coordenador do serviço de nefrologia do HMC e presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia.

No Brasil, cerca de 22 mil pacientes aguardam em uma lista de espera por um transplante renal, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Em Minas Gerais, aproximadamente 2.300 pessoas estão à espera de um doador. É o segundo estado do país que possui o maior número de pacientes renais ativos na lista de espera, perdendo apenas para São Paulo. Só no primeiro semestre deste ano, foram adicionados na lista de espera 576 pacientes adultos e 5 pediátricos. Em contrapartida, cerca de 330 pessoas foram declaradas como potenciais doadores, mas apenas 97 foram efetivos.

A Sociedade Mineira de Nefrologia, sabendo da importância da doação de órgãos e com base no cenário atual de transplantes de rins, esclarece os principais questionamentos sobre o transplante renal e a doação de rins em vida. Confira!

O que é o transplante renal?

Quando o rim apresenta problemas no seu funcionamento, ele deixa de desenvolver suas principais funções corretamente. Existem duas alternativas para solucionar essa anomalia no órgão. Em casos menos graves, essa falha pode ser sanada com medidas medicamentosas e dietéticas. Em quadros avançados e mais graves, a substituição da função renal é realizada, por meio de hemodiálise, dialise peritoneal ou da realização de um transplante renal.

No transplante renal, implanta-se um rim sadio em um paciente de insuficiência renal avançada. Esse novo rim começará a realizar as funções que os rins doentes não conseguiam mais manter. Ele é considerado a mais completa alternativa de substituição da função renal, pois garante mais liberdade no dia a dia do paciente e melhora a qualidade de vida.

Quem pode ser doador?

Existem dois tipos de doadores, os falecidos e os doadores vivos. ​De acordo com a cartilha “Manual do Transplante Renal”, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), qualquer pessoa adulta (acima de 21 anos), saudável, com função renal normal, que não apresente, durante extensa e minuciosa avaliação médica, indícios de risco de doença renal e não possui nenhuma doença que possa ser transmitida ao receptor, pode ser doadora.

Doadores falecidos, que vão a óbito em quadro de morte encefálica, a partir de autorização familiar, podem ter seus órgãos doados para receptores compatíveis, salvando inúmeras vidas.

Quando doador vivo, parentes e não parentes podem ser doadores, desde que obtenha uma autorização judicial. Vários exames são realizados no doador para que seja certificado o bom funcionamento dos rins e que o risco de realizar a cirurgia para retirar e doar o rim seja reduzido.

Há contra indicações de transplante renal para algum paciente com insuficiência renal crônica?

Pessoas que tiveram câncer, pacientes com infecções e doença graves no fígado ou coração não podem ser receptores do transplante. Porém, cada quadro é cuidadosamente analisado junto ao médico.

Segundo a ABTO, outros fatores físicos podem contraindicar o transplante como: Insuficiência cardiopulmonar; Obesidade mórbida; Doença periférica e vascular cerebral; Fumo em excesso; Insuficiência hepática; Outros fatores que aumentam o risco de um grande procedimento cirúrgico.

Quais os riscos do transplante para doador vivo?

O maior risco que o doador se submete é a anestesia geral, no entanto, pode ser minimizado com os exames pré-operatórios e os avanços nas técnicas anestésicas e cirúrgicas.

Qual a durabilidade de um rim transplantado?

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, alguns pacientes permanecem com os rins transplantados funcionando por muito tempo, chegando a mais de 10 anos. Em alguns casos, o tempo de funcionamento do órgão transplantado não é tão longo. Vários fatores podem alterar a durabilidade do órgão, como intercorrências ocorridas no momento do transplante renal e ao próprio órgão que foi doado.

Como é a vida pós transplante?

Ter um rim novo e saudável é o sonho de todo paciente, pois o transplante renal bem sucedido garante uma melhora considerável em sua qualidade de vida. Após o transplante, apesar das recomendações e exigências médicas, o transplantado pode levar uma vida normal. Ao passar dos meses, diminuem as restrições e os cuidados são menores, possibilitando um convívio social pleno e saudável.

É possível levar uma vida normal com um rim apenas?

Existem pessoas que nascem com apenas um rim e talvez nunca saibam disso. Um rim pode realizar o trabalho de dois e a vida da pessoa será normal tanto nas suas atividades pessoais como profissionais, mas isso não isenta os riscos do procedimento.


17.09.2018

A importância do nutricionista na doença renal crônica

O nutricionista é o profissional responsável quando relacionamos alimentação e saúde. Ele contribui para a garantia da qualidade de vida dos pacientes e sua função é ajudar na prevenção e no tratamento das doenças, incluindo as doenças renais.

O acompanhamento nutricional para os pacientes renais é fundamental para mudar os hábitos alimentares, evitando a evolução da doença e suas complicações, que podem ser irreversíveis.

De acordo com a nutricionista Raquel Bacha, especialista em doenças renais crônicas, a saúde, uma vez alterada, como nos casos de diabetes descontrolada ou sobrepeso, pode afetar diretamente os rins.

“Ter uma alimentação 100% natural, baseada em alimentos que qualquer um reconhece como da natureza, como: vegetais, frutas, proteínas animais, gorduras de certos óleos, azeite natural de alimentos, como sementes oleaginosas”, ajuda a prevenir as chances de problemas renais.

Segundo Raquel, manter uma alimentação baseada nos alimentos citados minimiza a chance de altos níveis de glicose no sangue, descontrole da pressão arterial, e até mesmo alterações das frações de colesterol.

Com a falência da função renal, os rins não são mais capazes de eliminar progressivamente do sangue diversas substâncias, como os líquidos e resíduos resultantes da alimentação. Por isso, a atuação do nutricionista de forma personalizada para cada paciente é de extrema importância, seja no tratamento conservador da doença renal, como na terapia renal substitutiva, a hemodiálise.

Ela destaca que é necessário estabelecer níveis adequados de proteína, que deve ser consumida conforme o diagnóstico, o estágio em que a doença se encontra, e de acordo com os parâmetros de exames clínicos que podem sofrer alterações a cada 2 ou 3 meses.

O auxílio individual a cada paciente exclui a possibilidade de uma dieta severa e difícil, uma vez que a cada mês a dieta pode ser adaptada de acordo com a necessidade de cada um. “A proteína pode não ser restrita, pois existem situações em que orientamos o aumento do seu consumo. Além disso, o tipo e a quantidade de carboidratos, combinações em refeições, as fontes de gorduras, um ajuste fino de minerais que possam estar alterados (dependendo da fase da doença), e até mesmo a interferência de medicamentos, podem ser ajustados apenas por meio do acompanhamento nutricional de forma correta.”

No tratamento conservador, as orientações do nutricionista são essenciais para que haja estabilização das funções dos rins, retardando consequentemente a necessidade da hemodiálise. Já no tratamento renal substitutivo, o acompanhamento contribui para a manutenção e recuperação do estado nutricional.

O corpo apresenta necessidades nutricionais e energéticas diferentes, alguns pacientes apresentam catabolismo importante durante as sessões de diálise e frequente queda de apetite, por alterações metabólicas, sendo por isso fundamental que os cuidados alimentares sejam considerados como parte importante da terapia.

Para a especialista em doenças crônicas renais, muitos pacientes do tratamento conservador presumem que a restrição de proteína “salva o rim”.  Já os pacientes em diálise, rejeitam alimentos, como banana, alegando “potássio”. Mas, na verdade, tudo depende do contexto da dieta. “O hábito de simplificar as informações e realizar restrições sem avaliar o que é de fato necessário para a condição clínica e momento, pode interferir na qualidade de vida dos pacientes renais”, afirma.

Sobre a restrição de alimentos e a substituição dos mesmos, a nutricionista esclarece que proteína, potássio e fósforo devem sempre ser monitorados e calculados conforme os parâmetros da doença, exame e estágio em que o paciente se encontra. “A substituição é individual. Retirar um leite de caixinha com proteína animal, sem muito valor, e substituir por um leite de amêndoas, rico em mineral e fonte de gordura é uma boa dica em determinados casos. O que não vale é restringir proteína de forma equivocada. O estímulo por alimentos integrais, que muitas vezes carregam açúcar, como pães e biscoitos, jamais devem ser minimamente fonte de substituição. Esse tipo de alimentação é uma ilusão de saúde. As substituições de proteína, por gordura ou alimentos, sempre devem ser consultadas junto ao nutricionista, para não desequilibrar o plano ideal para aquele momento e situação clínica.”

Respeitar as proporções de cada substância, e compreender como elas afetam o nosso funcionamento renal, é uma dica infalível. Para a nutricionista, é importante respeitar o que cada paciente consegue reformular na alimentação.

Faça o consumo consciente. Alimentação é saúde! Esclareça com seu nefrologista e seu nutricionista todas as dúvidas e participe ativamente de seu tratamento.


27.03.2017

Presidente da SMN palestra na Faculdade Pitágoras

O presidente da SMN Dr Daniel Calazans, proferiu hoje (27) palestra na Faculdade Pitágoras em comemoração ao “Dia Mundial do Rim“. Na palestra, ministrada  para os estudantes do curso de Fisioterapia, o presidente da SMN destacou a importância de uma alimentação saudável e da prática de atividades físicas para que as pessoas evitem o aparecimento de doenças relacionadas aos rins.

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06.03.2017

Dia Mundial do Rim reforça combate à obesidade como de prevenção de doenças renais

Doença renal e obesidade, estilo de vida saudável para rins saudáveis. Este é o tema do Dia Mundial do Rim que em 2017 será celebrado no dia 9 de Março, mesmo dia em que é comemorado o Dia do Nefrologista. O tema lembra como pequenos hábitos diários podem aumentar nossa qualidade de vida cuida em especial da prevenção de doenças nos rins e no sistema nefrológico.

Para alertar para a necessidade da prevenção deste tipo doença, muitas vezes silenciosa em seu início e que pode afetar pessoas de diferentes idades e perfis. Estima-se que 10% da população mundial é afetada por algum tipo de doença renal crônica (DRC) e a obesidade é um dos fatores que mais contribui para o desenvolvimento deste tipo de enfermidade.

O presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia, Dr. Daniel Calazans, ressalta que o diagnóstico tardio é um grande dificultador do tratamento. “No Brasil, a maior parte dos diagnósticos já é dado na etapa final da DRC, o que dificulta o manejo e a reversão do quadro do paciente”, explica. Além da obesidade, outros fatores como hipertensão, diabetes e o envelhecimento da população ajudam a mais que dobrar o número de pacientes em hemodiálise no país nos últimos 15 anos.

Mudança de hábitos = Prevenção

Doença renal crônica (DRC) é a perda progressiva da função dos dois rins. Quando os rins falham e tem sua capacidade funcional comprometida, originando a insuficiência renal, as impurezas não são retiradas do sangue e órgãos vitais do nosso corpo como coração, pulmões, músculos e cérebro são afetados. Como a DRC não tem cura, são utilizadas outras formas de filtrar o sangue do paciente através de tratamentos como  a diálise peritoneal ou a hemodiálise ou mesmo o transplante renal em casos mais extremos.

Porém, com hábitos saudáveis em relação a alimentação e prática de exercícios físicos é possível prevenir o surgimento de doenças como diabetes e hipertensão e, consequentemente problemas que afetem o sistema renal. O diretor científico da SMN, José de Resende Barros Neto alerta que o que comemos pode definir a saúde dos nossos rins. Para ele “a raiz do problema é a alimentação. O consumo abusivo de açúcares, farináceos e produtos industrializados tem tornado essas doenças cada vez mais prevalentes e uma das consequências é o aumento nos casos de insuficiência renal crônica terminal. Deve-se atentar para isso ao invés de apenas tratar os galhos, enchendo os pacientes de remédios, e vendo o problema crescer dia a dia.”

A importância da prevenção é reforçada pelo presidente da SMN, Dr. Daniel Calazans, já que pela falta de sintomas iniciais, é possível que o indivíduo perca até 90% das funções renais sem perceber. “O objetivo do Dia Mundial do Rim este ano é destacar a necessidade de se prevenir e tratar o excesso de peso. A prevenção e uma avaliação constante com um profissional da área contribuem amplamente para a minimização ou eliminação dos problemas”.

Iluminar pra lembrar

Durante todo o mês de março, a Sociedade Mineira de Nefrologia e a Associação Médica de Minas Gerais vão iluminar a fachada do prédio das entidades – localizado na Avenida João Pinheiro, 161, em Belo Horizonte – com as cores azul e vermelho para chamar a atenção para o tema e reforçar a importância da prevenção desta silenciosa doença. Diversos pontos turísticos do país também terão iluminação especial com as mesmas cores para marcar o caráter preventivo das doenças renais com o combate à obesidade.

Relembre no vídeo como é fácil cuidar dos rins com hábitos saudáveis

Dicas importantes

Quando o assunto é o sistema renal, vale a velha máxima de que é melhor prevenir do que remediar. E cuidados que se faz no dia a dia, para a saúde e o bem estar de modo geral, são decisivos para ajudar a nos mantermos livres das doenças nefrológicas. Algumas dicas para anotar e praticar sempre:

  • Praticar exercícios físicos regulares;
  • Evitar o excesso de sal, carne vermelha e gorduras;
  • Controle de peso corporal;
  • Controle da pressão arterial;
  • Controle do colesterol e da glicose;
  • Não fumar;
  • Não abusar de bebida alcoólica;
  • Evitar o uso de anti-inflamatórios não hormonais;
  • Cuidar com quadros de desidratação;
  • Realizar, uma vez por ano, exames laboratoriais para avaliar a saúde dos rins: dosagem de creatinina no sangue e análise de urina
  • Consultar regularmente seu clínico;
  • Não fazer uso de medicamentos sem prescrição médica.

16.01.2017

Diálise Peritoneal: opção para o tratamento de problemas renais

A disfunção renal aguda ou crônica pode gerar a necessidade de tratamentos substitutivos da função renal para garantir a saúde e qualidade de vida do paciente. A hemodiálise é um tratamento bastante conhecido. Agora vamos conhecer mais sobre a Diálise Peritoneal, outra opção de tratamento.

O que é Diálise Peritoneal

Diferentemente da hemodiálise, quando o trabalho de substituição das funções dos rins doentes é feito por uma máquina, a diálise peritoneal consiste em um processo que ocorre dentro do corpo do paciente, com a utilização de um filtro natural como substituto da função renal, chamado peritônio. Daí a denominação do procedimento.

O peritônio é uma membrana – que está presente naturalmente no organismo humano – porosa e semipermeável, que reveste os principais órgãos abdominais. E o procedimento em si consiste na inserção de um cateter para drenar um liquido de diálise que é colocado no espaço entre esses órgãos, a chamada cavidade peritoneal. O cateter é inserido no organismo do paciente por meio de uma pequena cirurgia no abdômen, de maneira indolor e permanente.

Depois de um tempo na cavidade peritoneal, a solução de diálise é drenada e então entra em contato com o sangue. É aí que se inicia o processo de auxílio na remoção de substâncias acumuladas no sangue, como uréia, creatinina e potássio, e da eliminação do excesso de líquidos, em caso de dificuldade da função natural dos rins.

Diálise Peritoneal ou Hemodiálise?

Existem vantagens e desvantagens tanto para o tratamento das doenças renais através da Diálise Peritoneal ou da Hemodiálise. Os resultados, no entanto, são muito parecidos e a escolha se baseia nas condições clínicas e da opção do próprio paciente. Nada impede, por exemplo, que o paciente faça um procedimento por um tempo e depois passe para o outro, independente da ordem, desde que as medidas sejam tomadas sob cuidados do médico nefrologista que acompanha o caso. Por isso é fundamental se inteirar de todos os detalhes dos procedimentos para uma escolha tranquila e segura.

A realização da Diálise Peritoneal, assim como para o caso da hemodiálise é indicada para pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica graves e o tratamento deve ser feito após orientação do médico especialista em doenças dos rins, o nefrologista, que analisa, entre outras questões: a dosagem de uréia, creatinina, potássio e ácidos no sangue; a quantidade de urina produzida durante 24 horas, além do cálculo da porcentagem de funcionamento dos rins e de uma avaliação de anemia.

Na prática, como é o tratamento da Diálise Peritoneal?

A diálise peritoneal permite que o paciente faça o tratamento em casa, sem a necessidade de ir ao hospital para a realização do processo sendo dividido em duas modalidades.

Diálise Peritoneal Ambulatorial Contínua (DPAC): realizada diariamente e de forma manual pelo próprio paciente ou familiar. Geralmente 4 trocas ao dia (manhã, almoço, tarde, noite), sendo que o tempo de troca leva aproximadamente 30 minutos. No período entre as trocas, o paciente fica livre das bolsas.

Diálise Peritoneal Automatizada (DPA): realizada todos os dias, normalmente à noite, em casa, utilizando uma pequena máquina, que infunde e drena o líquido, fazendo as trocas do mesmo. Antes de dormir, o paciente se conecta à máquina, que faz as trocas automaticamente de acordo com a prescrição médica. Se necessário, podem ser programadas “trocas manuais” durante o dia.

Algumas dúvidas comuns

Fazer Diálise Peritoneal dói?

Não. No início do tratamento pode haver desconforto abdominal pela presença do líquido dentro da cavidade abdominal, mas a tendência é que ele desapareça com o tempo. Se a dor persistir o médico nefrologista deve ser comunicado para checar se há infecção ou mau posicionamento do cateter.

E quanto a dieta?

A Diálise Peritoneal substitui boa parte das funções realizadas por um rim, mas não todas. Por isso, quanto a alimentação, é fundamental seguir as recomendações e restrições para a ingestão de alimentos passadas pela equipe médica, já que a quantidade e tipos de líquidos e alimentos que o paciente pode ingerir varia caso a caso. Todas as clínicas de diálise têm equipes compostas por nutricionistas, enfermeiros e médicos para orientar o paciente para uma dieta específica de acordo com o caso em questão.

O paciente que faz diálise peritoneal pode trabalhar?

Sim. Desde que respeitados os horários e recomendações do tratamento. Além disso, existe uma lei Federal que regulamenta um auxilio financeiro do governo a pacientes portadores de doença renal crônica avançada em diálise.

E viajar?

Também. O paciente deve se atentar apenas para levar seu material para o procedimento. Para o caso de viagens de avião, a dica é solicitar à clínica um laudo de saúde para que a companhia aérea não cobre pelo excesso de peso devido ao material para a diálise peritoneal.

Qualidade de vida

A diálise peritoneal permite ao paciente com doenças renais crônicas uma vida muito próxima da normalidade, com a possibilidade atividades cotidianas de trabalho, lazer e esporte. Assim que iniciado o tratamento, o paciente apresenta melhora em sintomas anteriores como falta de apetite, indisposição, cansaço e náuseas, o que contribui para o aumento da qualidade de vida.


10.12.2016

Comemoração de 400 transplantes do Hospital Márcio Cunha


14.11.2016

Combate ao Diabetes: Uma prevenção dupla

O mês de Novembro é marcado pelo Dia Mundial de Combate ao Diabetes (14/11) e o tema tem tudo a ver com a nefrologia. O Diabetes é comporto por vários tipos da doença que significa basicamente o aumento da glicose no sangue. A doença é uma das maiores causas de problemas renais que levam o paciente a ter que fazer a diálise, em parte dos casos.

O diabetes tem evoluído de maneira assustadora em todo o mundo, devido ao crescimento de índices de alguns fatores de risco para desenvolvimento da doença como o envelhecimento e a obesidade. Estima-se que mais de 190 milhões de pessoas com diabetes no mundo, e que esse número tende a crescer em até 50% nos próximos 10 anos.

É importante ressaltar que qualquer pessoa que desenvolva os tipos I ou II do Diabetes, os mais comuns, corre o risco de desenvolver também doença renal. Estima-se ainda que 25% das pessoas com diabetes tipo I e 5 a 10% dos portadores de diabetes tipo II desenvolve insuficiência nos rins.

A nefropatia diabética não apresenta sintomas logo no seu começo e pode se manifestar após vários anos depois de identificado o diabetes. Por isso mesmo é preciso ficar muito atento para se evitar o comprometimento do sistema renal, que pode ser atingido até de maneira irreversível.

Além da prevenção, o diagnóstico precoce é fundamental para o combate do Diabetes e de eventuais doenças renais a partir da evolução da doença. O teste é relativamente simples e pesquisa a presença de açúcar na urina ou a quantidade presente no sangue. O diagnóstico é avalizado pelo exame de glicemia. Se confirmada a doença, o paciente passa a ser acompanhado pelo clínico geral e, com o monitoramento constante, encaminhado, se necessário, para o médico nefrologista.

Então, o que é preciso para evitar o diabetes?

A prevenção ao Diabetes tem uma função dupla, já que também ela ajuda e diminuir as chances de desenvolvimento de doenças renais. E com atividades que só dependem das nossas atitudes é possível realizar essa prevenção cotidianamente.

O sedentarismo, a obesidade e a má alimentação formam um combo de vilões para o desenvolvimento tanto do Diabetes quanto eventualmente doenças renais e outras diversas doenças.

Por isso, uma alimentação saudável, sem o exagero no consumo de alimentos ricos em carboidratos (açúcar, farináceos, grãos e tubérculos), o controle dos níveis de glicemia, a realização de exercícios físicos regularmente, o controle do peso, dos níveis de colesterol, pressão arterial são fatores indispensáveis para um eficaz de trabalho de prevenção. O fumo e fatores genéticos também surgem como potencializadores do risco.

Depois de já desenvolvida uma doença renal a partir do Diabetes, com duas doenças para controlar, o paciente passa a ter ainda mais dificuldades para seguir toda a recomendação médica e os medicamentos necessários para ter uma vida saudável e com um bem estar o mais próximo possível do normal.

Para o paciente que já tem o Diabetes, a prevenção da nefropatia diabética consiste primeiramente no controle dos níveis de glicemia, principalmente nos primeiros 10 anos após o diagnóstico. É fundamental também que o paciente não utilize medicamentos sem acompanhamento médico, para que não se ingira nenhuma substância nociva aos rins. O médico responsável é que irá indicar de exames para checar, por exemplo, a presença de proteína na urina.

Com prevenção, acompanhamento e atenção ao tratamento, nessa ordem, é possível, evitar, cuidar e até conviver com o Diabetes e as doenças renais a ele ligadas. Nunca é demais lembrar que prevenir continua sendo o melhor remédio.


04.10.2016

A hemodiálise, suas características e vantagens

A hemodiálise pode ser considerada uma grande evolução no tratamento de doenças renais, que tempos atrás eram praticamente uma sentença de morte ao paciente. Basicamente, trata-se da troca de um órgão vital para nossa sobrevivência por uma máquina, que substitui quase que integramente as funcionalidades desempenhadas pelos rins. Se pensarmos na impossibilidade de algo semelhante para outros órgãos como pulmões, fígado e coração, já temos a dimensão da importância desse procedimento.

Se o seu rim não funciona corretamente, seu organismo irá acumular resíduos que fazem mal à saúde e reter substâncias que, em excesso, são prejudiciais, como o sal e o açúcar. Por isso é preciso que de uma maneira alternativa essas toxinas sejam retiradas do nosso organismo e o sangue seja limpo e filtrado.  É exatamente esse trabalho que é feito através de uma máquina.  A hemodiálise também controla a pressão arterial e ajuda o corpo a manter o equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, uréia e creatinina.

A hemodiálise é indicada para pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica graves e o tratamento deve ser feita após orientação do médico especialista em doenças dos rins, o nefrologista.

Como funciona?

A máquina que vai filtrar o sangue do paciente é conectada a ele através de um tubo (cateter) ou de uma fístula arteriovenosa e o sangue é bombeado até o dialisador, que é o local onde ocorre a retirada do líquido e das toxinas em excesso, com o uso de uma membrana semipermeável, para que o sangue seja “devolvido” limpo ao paciente.

O processo de limpeza do sangue é dinâmico e contínuo, formando uma circulação dentro do sistema, entre o sangue cheio de toxinas e o líquido da diálise. Ambos atuam através da membrana semipermeável que permite que esse trabalho de troca de moléculas seja feito e com a presença de heparina, que evita que haja coagulação do sangue no meio deste processo.

Quando o procedimento ocorre através de uma fístula arteriovenosa , que pode ser feita com as próprias veias do paciente ou com materiais sintéticos, através de uma pequena cirurgia no braço ou perna, é realizada uma ligação entre uma pequena artéria e uma pequena veia, para que a veia fique mais resistente às agulhas usadas da hemodiálise e para que não haja complicações.

Já o cateter de hemodiálise é um tubo colocado em uma veia no pescoço, tórax ou virilha. É usado normalmente como uma opção temporária para os pacientes que não têm uma fístula e precisam fazer diálise.

 Algumas dúvidas

A Hemodiálise deve ser feita para o resto da vida?

Normalmente sim. Em conjunto entre paciente e médico nefrologista o procedimento pode ser alternado para a diálise peritoneal , e vice-versa, ou mesmo pode ser feito um transplante renal, dependendo das condições clínicas do paciente.

Quanto tempo dura a hemodiálise?

O processo varia de acordo com cada paciente e seu quadro específico. Normalmente, a hemodiálise dura quatro horas, e é feita três ou quatro vezes por semana. Dependendo da situação clínica, o tempo de cada sessão varia entre 3 e 5 horas e a periodicidade também vai entre duas vezes por semana até diariamente, dependendo da situação de cada caso.

Fazer hemodiálise dói?

Normalmente não. O paciente pode sentir dor leve no momento da punção da fístula com as agulhas. Quanto aos efeitos colaterais, no geral, os pacientes são sentem nada, mas pode ocorrer queda da pressão arterial, câimbras ou dor de cabeça. Em todos os casos, os pacientes são acompanhados por um médico e uma equipe de enfermagem durante o procedimento.

E quanto a dieta?

A hemodiálise substituiu boa parte das funções realizadas por um rim, mas não todas. Por isso, quanto a alimentação, é fundamental seguir as recomendações e restrições para a ingestão de alimentos passadas pela equipe médica que acompanha a situação para o sucesso do tratamento.

A quantidade de líquidos e alimentos que o paciente pode ingerir varia caso a caso, também em função do estado nutricional da pessoa, da quantidade de urina produzida e de fatores como a presença de doenças associada, como diabetes.

É importante ressaltar que todas as clínicas de diálise têm equipes compostas por  nutricionistas, enfermeiros e médicos para orientar o paciente para uma dieta específica de acordo com o caso em questão.

Quem faz hemodiálise pode trabalhar?

Sim, mas cada caso é avaliado de acordo com a situação clínica do paciente e dos horários das sessões.

E viajar?

Também. No Brasil, assim como em vários países do mundo, existe um sistema chamado  “Hemodiálise em Trânsito”. Com isso, a clínica de origem do paciente que viaja passa as informações do tratamento para a clínica no local de destino para que o procedimento tenha continuidade normalmente.

Qualidade de vida

A hemodiálise permite ao paciente com doenças renais crônicas e agudas uma vida muito próxima da normalidade, com a possibilidade atividades cotidianas de trabalho, lazer e esporte. Assim que iniciado o tratamento, o paciente apresenta melhora em sintomas anteriores como falta de apetite, indisposição, cansaço e náuseas, o que contribui para o aumento da qualidade de vida.


29.08.2016

Como prevenir e identificar as doenças nefrológicas

A maioria das doenças que atacam o sistema nefrológico não apresenta sintomas aparente em suas fases iniciais, o que dificulta um diagnóstico precoce, o tratamento e o cuidado em relação a esses problemas. Porém, com um pouco mais de atenção e informação é possível identificar pequenos sinais dados pelo nosso organismo que podem ser fundamentais para evitarmos problemas futuros em relação à saúde dos nossos rins.

Existem ainda fatores de risco que fazem com que alguns grupos precisem redobrar a atenção para o tema e procurar um especialista em nefrologia com mais frequência que a população geral. Idosos, portadores de doença cardiovascular e pessoas com história de doença renal na família têm mais chances de desenvolver lesões renais e devem ser investigados com triagem de exames de urina e dosagem de creatinina no sangue.

Apesar de simples e de baixo custo, exames como o de sangue e o de urina são algumas das principais maneiras de se identificar alterações no sistema renal. Além disso, hábitos de vida e alimentação saudáveis e a visita regular ao médico nefrologista são ferramentas decisivas para que nosso sistema renal tenha menos chances de apresentar problemas.

maus-habitosAlguns sintomas que devemos ficar de olho, pois podem ser sinais de doenças do sistema nefrológico são:

  • Pressão Alta
  • Inchaço ao redor dos olhos e nas pernas
  • Fraqueza constante
  • Náuseas e vômitos frequentes
  • Dificuldade de urinar
  • Queimação ou dor quando urina
  • Urinar muitas vezes, principalmente à noite
  • Urina com aspecto sanguinolento
  • Urina com muita espuma
  • Dor lombar, que não piora com movimentos
  • História de pedras nos rins

Quando o assunto é o sistema renal, vale a velha máxima de que é melhor prevenir do que remediar. E cuidados que se faz no dia a dia, para a saúde e o bem estar de modo geral, são decisivos para ajudar a nos mantermos livres das doenças nefrológicas. Algumas dicas para anotar e praticar sempre:

bons-habitos

  • Praticar exercícios físicos regulares;
  • Evitar o excesso de sal, carne vermelha e gorduras;
  • Controle de peso corporal;
  • Controle da pressão arterial;
  • Controle do colesterol e da glicose;
  • Não fumar;
  • Não abusar de bebida alcoólica;
  • Evitar o uso de anti-inflamatórios não hormonais;
  • Cuidar com quadros de desidratação;
  • Realizar, uma vez por ano, exames laboratoriais para avaliar a saúde dos rins: dosagem de creatinina no sangue e análise de urina
  • Consultar regularmente seu clínico;
  • Não fazer uso de medicamentos sem prescrição médica.

E o mais importante é procurar sempre ajuda de um profissional da área. Ao perceber qualquer sinal de alteração no funcionamento dos rins, procure um médico nefrologista o mais breve.


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